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Trata-se da última parte da entrevista com a professora Daniela Matos, que aqui opina sobre a criação deste blog, em um curso de jornalismo, que viabiliza a construção de conhecimento no espaço da Web.
http://www.youtube.com/v/iLJGp_rdfRU
Sugestão de Daniela Matos:
Abaixo o link para a última entrevista com Clarice Lispector dada ao jornalista Junio Lerner para o programa Panorama, da TV Cultura, em 1977.
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Logo ao entrar no espaço onde se encontravam as fotos de Pierre Verger pude notar o que mais me chamaria a atenção: O seu valor histórico.
Aprende-se nas escolas, desde pequeno, através dos velhos historiadores, que a história é movimento. Revoluções, guerras, mudanças, transformações.
Reis, presidentes, marechais, cientistas, sempre em frente. Seguindo uma espécie de trilho. Trilho que leva o trem, em direção ao progresso.
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O marinheiro parado, espera, cansado, a carga do saveiro. A mulher em êxtase, dança, na casa de santo. Homens lutam/brincam a capoeira na Cidade Baixa.
Pierre Verger conseguiu com seu olhar construir documentos que hoje podem demonstrar o contrário do que os velhos historiadores tentaram nos impingir durante séculos.
Homens, mulheres e crianças, estáticas. Observando o cotidiano dos baianos (e de tantos outros povos), Verger permitiu que hoje, em um futuro próximo ao tempo dele, identificássemos o quão próximos a nós estão aqueles personagens das suas fotografias.
...
Assim, permitiu-nos, também, poder acolher novos personagens históricos. O povo. A plebe. A canalha. A turba.
E levou-nos a perceber que, muito além das descontinuidades históricas, estamos embarcados em um tempo-espaço de continuidades. De não-mudanças, de não-revoluções... de mentalidades estanques.
CB - Numa tarde ensolarada de Setembro de 2006
O Site abaixo remete à Fundação Pierre Verger:
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O filósofo-escritor Umberto Eco, no livro Semiótica e Filosofia da Linguagem, aborda a concorrência entre as diversas famílias da filosofia de uma forma bastante sarcástica.
“Os filósofos percebem que é diferente falar do significado de uma palavra, de um fenômeno atmosférico, de uma experiência perceptiva, e decidem que todos estes problemas serão enfrentados separadamente e por disciplinas diferentes. O filósofo da linguagem, portanto, se ocupará das frases, possivelmente só das bem formuladas, e deixará ao psicólogo da percepção a pergunta de por que alguns riscos numa folha de papel me lembram um coelho. Assim fica salvo o critério de especialização, indispensável para evitar conflitos na distribuição dos cargos acadêmicos e na divisão das verbas públicas e privadas”.
Luigi Pareyson, no primeiro capítulo do livro Problemas da Estética (Natureza e Tarefa da Estética), de uma forma opostamente polida, trata desse mesmo debate milenar, das separações dos conhecimentos, tentando sempre o encontro de uma terceira via, entre os caminhos sectários.
Para ele o “primeiro dos problemas da estética é o que diz respeito à própria estética: sua natureza, seus limites, suas incumbências, seu método”. Partindo desse pressuposto Pareyson trata de desfazer a idéia de que a estética é somente filosofia, ou somente experiência. Após diversas observações ele conclui:
“Então se pode dizer que a estética, antes de tudo, por esta sua vizinhança mais evidente da experiência de onde extrai contínuo alimento e estímulo, é um feliz exemplo do ponto de encontro das duas vias da reflexão filosófica: a via ascendente, que chega a resultados universais partindo da reflexão sobre a experiência concreta e os problemas particulares por elas oferecidos, e a via descendente, que se serve, por sua vez, destes resultados para interpretar a experiência e resolver seus problemas”.
Pareyson propõe, finalizando, com uma idéia bastante democrática que, “a estética torna-se assim um frutífero ponto de encontro, um campo no qual têm direito de falar os artistas, os críticos, os amadores, os historiadores, os psicólogos, os sociólogos, os técnicos, os pedagogos, os filósofos, os metafísicos, com a condição de que todos prestem atenção ao ponto em que experiência e filosofia se tocam, a experiência para estimular e verificar a filosofia, e a filosofia para explicar e fundamentar a experiência”.
Todos podem assistir a um dos capítulos da série Poeira das Estrelas, dentro do Fantástico, da TV Globo, para melhor entendimento dessas divisões entre filosofia ou experiência, ciência ou religião, dedução ou indução, etc., que geraram mais sofrimento do que apenas o sarcasmo ou a polidez correntes em nosso tempo:
http://gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-M529424,00.html
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O colega Anderson sugeriu o livro à nossa professora Daniela e ela sugeriu prá todo mundo como leitura complementar: Reflexões sobre a Arte, de Alfredo Bosi, da Editora Ática.
Ai vai uma amostra do livro digitalizada para aqueles que querem mais informações a respeito de novos e velhos conceitos de Arte. E como uma ajudazinha para a avaliação da semana que vem.
Primeiro uma pequena resenha encontrada no fundo do livro (edição de 2004), e depois o link para o trecho digitalizado:
"O fenômeno artístico é tão complexo que, para abraçá-lo, não convêm definições gerais e sumárias. O autor destas reflexões preferiu o método das aproximações sucessivas: a arte é considerada em sua tríplice dimensão de técnica, mimésis e expressão.
A arte é um fazer. Operação construtiva, ato de formar e transformar os signos da natureza e da cultura.
A arte é um conhecer. Modo de representação que percorre um caminho cujos extremos se chamam naturalismo e abstração.
A arte é um exprimir. Projeção da vida interior que vai do grito à alegoria, passando pela vasta gama dos símbolos e dos mitos.
Alfredo Bosi, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo, publicou, entre outros livros, História concisa da literatura brasileira, O conto brasileiro contemporâneo e O ser e o tempo da poesia."
http://www.geocities.com/appl-bahia/Jornalismo/Alfredo_Bosi.pdf
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Resumo das aulas de Estética de 19 e 20/09/2006.
(Este resumo é uma contribuição da colega Eliene)
A dupla exigência de reconhecer a presença da arte em todas as atividades humanas e especificar a arte como a atividade distinta dos demais dá lugar um importante debate estético.
Pareyson se remete a duas linhas teóricas dentro daquele debate:
1) Distinção da arte acaba negando qualquer beleza que não seja artística – em caráter restrito – como por exemplo uma obra de pensamento ou objetos úteis.
2) Deixa de existir a preocupação em distinguir arte de artisticidade – Tudo é arte.
Diante das duas perspectivas anteriores Pareyson acreditava que a exigência de especificação para a arte é fundamental, mas também a exigência da extensão da arte a todos os campos da atividade humana – sem prevalecer uma sobre a outra.
A arte propriamente dita é a especificação da formatividade exercitada, não mais tendo em vista outros fins, mas por fim em si mesma. A obra de arte consiste precisamente nisto: no não querer ter outra justificação que a de ser puro êxito, uma forma que vive por si, uma inovação radical e um incremento imprevisto da realidade.
A especificação da arte não deve isolá-la do resto: ela só tem sentido se considerada sobre o fundo da extensão da arte sobre a operosidade humana. A arte não terá mais lugar se toda a operosidade humana não tivesse já um caráter artístico que ela prolonga, aprimora, exalta.
O problema da relação da arte com as outras atividades humanas também está em jogo. Há uma linha de teóricos que nega a presença da arte nas outras atividades humanas, e outra linha que nega a presença das outras atividades humanas na arte.
O que gerou duas posições extremas dadas a aquele problema:
1) Esteticismo: subordinação de qualquer outro valor ao artístico; com a idéia de fazer da vida apenas uma obra de arte, a subtrai da lei moral, que é a única em condições de guia-la.
2) Concepção moralista: instrumentalização da arte relativa aos outros valores.
A posição de Pareyson com relação a isso seria:
Não subordinação dos outros valores ao artístico, mas buscar o êxito artístico em atividade não artística. Buscando a simultaneidade da arte com outros valores, a aderência da arte a outros fins.