SALA 212, Noturno

Blog para discussão sobre aspectos diversos das disciplinas "Semiótica" e "Estética da Comunicação e Cultura de Massa" do Curso de Jornalismo da Faculdade da Cidade do Salvador.

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Categoria: Semiótica

24.10.06

Dez dicas para se entender Mulholland Dr.

categorias: Semiótica

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O Título acima foi dado pelo próprio David Linch, diretor do filme Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive), a um texto especial publicado no jornal The Guardian.

Para ajudar aqueles que vão assistir ao filme, sugerido (?) pelo professor Jorge de Semiótica, transcrevemos aqui as pistas que encontramos no site http://www.screamyell.com.br/cinema/cidadedossonhos.html.

Divirtam-se !!!

"1) No começo do filme, antes dos créditos, duas pistas são reveladas.

2) Fique atento para o que está escrito no luminoso vermelho.

3) Qual o título do filme, para qual o personagem Adam Kesher está realizando teste de elenco? Ele será mencionado mais uma vez durante CIDADE DOS SONHOS?

4) O acidente é um importante acontecimento em CIDADE DOS SONHOS. Onde ele acontece?

5) Quem entrega a chave azul e porque?

6) Fique atento para o roupão, o cinzeiro e a caneca de café.

7) Qual mistério é revelado no palco do "Club Silencio"?

8) Somente o talento de Camilla pode ajudá-la?

9) Fique atento para o objeto que está nas mãos do estranho homem que vive perto da lanchonete "Winkie"!

10) Onde está tia Ruth?"

Ah... já há na sala, correndo solto (e free), um DVD com o filme digitalizado.

  • criado por  Jornalismo - FCS criado por Jornalismo - FCS
  • Postado em 08:34:38

10.10.06

Significar e Comunicar

categorias: Semiótica

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Em uma das questões de prova (argh...) o professor de Semiótica pede explicações para a frase "Nem tudo que significa é um processo comunicativo".

Ai vai a resposta de um dos alunos:

"Há no mundo fenômenos significativos e comunicativos. Ambos podem ser verificados a partir de mecanismos de conhecimento, tais como inferência, equivalência e analogia. A partir de determinadas inferências, por exemplo, “há nuvens no céu, então pode chover”, “há um rastro fino no chão, então uma cobra deve ter passado por aqui”, pode-se perceber a existência de fenômenos significativos. No entanto, não são processos comunicativos, pois, por assim dizer, nem as nuvens, nem as cobras tinham a intenção de deixar as informações e os dados necessários à interpretação do ser humano que inferiu.
Portanto o fenômeno significativo só será comunicativo quando houver uma intenção de compartilhar o fenômeno: Se eu dou uma rosa vermelha a uma mulher, é para demonstrar minha paixão por ela; se escrevo um artigo sobre movimento operário, é porque sei que vai ser lido por quem se interessa por aquele tema. Neste último caso, encontra-se uma outra característica do processo comunicativo: O possível intérprete dos signos tem de pelo menos reconhecer o código que é utilizado como matéria prima para a sua compreensão, sob o risco de nada entender, ou de no outro extremo, criar uma superinterpretação equivocada dos signos deixados pelo autor: “Os petroleiros são uma categoria que luta ativamente desde que surgiu, portanto será ela a responsável por uma grande revolução no país”, por exemplo".

Estamos aguardando outras respostas, tanto da prova (argh...) de semiótica, quanto da prova (argh...) de estética.

Afinal de contas é esse um dos objetivos deste blog, ou não ?

  • criado por  Jornalismo - FCS criado por Jornalismo - FCS
  • Postado em 15:25:33

08.10.06

O Punk já é balzaquiano ????

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No sábado passado o Jornal A Tarde relembrou os punks. Infelizmente, logo na chamada da reportagem, na Primeira Página, afirma-se que o movimento relacionado aos punks partia de princípios hoje obsoletos. Anti-consumismo é obsoleto ? Anti-estatismo é obsoleto ? Ummm... deixa prá lá... Não é isso que nos interessa aqui neste espaço.

O que estamos mesmo interessados, neste momento, é na avaliação de um simples parágrafo de toda a reportagem acerca do movimento punk:

"Niilista por natureza, adotou a anarquia como ideologia, escarneceu o lixo da sociedade e vomitou no pomposo mainstream roqueiro da metade dos anos 70. Graças a ele, a música voltou a ser simples e primária, um exercício despretensioso de jovens querendo pura diversão, ainda que sem muita arte".

E ai ? Concordam com o termo "sem muita arte" utilizado pelo repórter ?

Preconceituoso ? Pejorativo ? Esteticamente correto ? Interpretação equivocada ?

Deixamos a palavra com os navegantes...

Ah... conheci por esses dias o pessoal da Rádio Web da FACED (Faculdade de Educação da UFBA)... abaixo segue o link prá ouvir e participar:

http://www.radio.faced.ufba.br/

  • criado por  Jornalismo - FCS criado por Jornalismo - FCS
  • Postado em 22:16:15

12.09.06

Superinteressante essa Superinterpretação !!!

categorias: Semiótica

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Na última aula de Semiótica o professor fez uma abordagem da teoria dos signos baseada no início do livro de Umberto Eco - “Semiótica e Filosofia da Linguagem”.

Ali pudemos compreender a necessidade de três elementos para que a comunicação tenha algum efeito: Objeto, Signo e Intérprete.

Em outra aula ele já havia falado sobre as idéias de Eco sobre Interpretação e Superinterpretação. Pudemos ver que Eco refuga a idéia de uma interpretação descontrolada, baseada numa "semiótica ilimitada" (fui buscar esse termo em outro texto do mesmo autor).

Interessante como começamos a ver vestígios desse tipo de coisa em tudo que é lugar.

Peguei a imagem acima, como exemplo, da Revista Superinteressante do mês de Maio de 2006, porque vi ali uma penumbra de possibilidade daquele tipo de interpretação nas suas matérias. E ai ? O que tem a ver, por exemplo, Surf, Hamas, Telefonia, Astronáutica, Internet, Cerveja ? Tudo se encontra ali naquelas duas páginas da revista. Lançadas como fogo colorido aos olhos do leitor. O que "a revista" tem em mente ? Uma revista de jornalismo científico tem o direito de "interpretar" o mundo daquela forma e bombardear-nos com todas aquelas informações em tão pouco espaço ?

Este mês a mesma revista fala mesmo em bombardeios... Ali ela parte de pressupostos (apocalípticos) que dão sinais visíveis de que uma terceira guerra mundial já começou. As evidências ? "Vivemos o momento de maior tensão em décadas"...  "Conflitos pipocam nos 4 cantos do mundo"... "árabes e ocidentais passam por sua maior crise em 50 anos"... E haja infográficos para persuadir o leitor a acreditar em algo como se fosse um mero cordeiro de uma Igreja qualquer, que ouviria o clerical sem um pingo de conhecimento de história... Bah...

Um exemplo óbvio de "superinterpretação" da realidade ?

Mas, particularmente, o que me deixou mais furioso foi ler de uma jornalista, dentro da mesma edição, numa matéria sobre Voto Nulo, que "o sonho dos anarquistas era uma sociedade organizada pelas próprias pessoas", e que "esse discurso utópico está empoeirado. Parece coisa do passado". O grifo foi meu. Parecia até que eu tava lendo uma antiga cartilha de marxistas ortodoxos da década de 70.

Superinterpretação semiótica ou apenas simples e inocente ignorância, comum a novos (e velhos) jornalistas, que nem mesmo tiveram disciplinas de humanidades nas grades curriculares das faculdades onde estudaram ? Conhecemos muito bem algumas delas.

  • criado por  Jornalismo - FCS criado por Jornalismo - FCS
  • Postado em 14:11:19

11.09.06

Esquema de Estudos - Umberto Eco

categorias: Semiótica

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Esquema de Estudo do Livro “Semiótica e Filosofia da Linguagem” - Umberto Eco...

I - Introdução

1) Relações entre semiótica e filosofia da linguagem;
2) Semiótica Específica x Semiótica Geral;
3) As Semióticas Específicas
     a) Podem ter estatuto científico (capacidade de enunciar hipóteses falsificáveis);
     b) Fenômenos semióticos: Sistema Fonológico (acomodações estruturais) x Sistema de Sinais (convenções explícitas);
     c) Semiótica Específica ≠ Semiótica Aplicada (caráter não-científico, crítica literária, análise do discurso?);
     d) Debate – Eco x Carroni (Convite ao empirismo ou filosofia “pura”);
     e) As Semióticas Específicas devem “reconhecer e denunciar as próprias metafísicas implícitas” – problema epistemológico (?) comum a todas as ciências;
     f) Necessidade de ser menos filosófico?
4) Semiótica Geral
     a) Natureza filosófica (estabelece categorias gerais);
     b) Caminho 1: “Tentativa de construir uma filosofia do homem como animal simbólico”;
     c) Caminho 2: Arqueologia dos conceitos semióticos – Aristóteles;
     d) Sarcasmo perante a Filosofia da Linguagem (que divide burocraticamente as disciplinas que falarão de diferentes fenômenos);
     e) Buscar uma “identidade profunda” (já que o ser é expresso de muitos modos?);
     f) Crítica à filosofia que finge encontrar a tal “identidade profunda” (Parmênides, metafísica, etc.);
     g) “O filósofo pode provar o que estabelece?”;
     h) “Fazer progredir o pensamento não significa necessariamente rejeitar o passado: às vezes, significa revisitá-lo” (como a ciência que muda as versões com a experiência);
     i) Conceito fundamental: Signo x Semiose, Inferência x Equivalência;
     j) Peirce: Semiose é ação que implica em colaboração de 3 sujeitos, o signo, o objeto e o interpretante;
     k) Meta da Semiótica Geral: “o dever de elaborar categorias que lhe permitam ver um único problema lá onde as aparências encorajam a ver muitos e irredutíveis problemas”;
     l) Um dos problemas é a “interpretação incontrolada”;
    m) “É banal dizer que uma nuvem é diferente de uma palavra. Mesmo uma criança sabe disto. É menos banal perguntar se, nem que seja apenas a partir de alguns usos lingüísticos comuns irredutíveis, ou de algumas obstinadas e seculares reiterações teóricas, o que é que poderia estabelecer parentesco entre elas”. Essa será a “questão obsessiva” que Eco tratará no livro; 
    n) “Não se trata de buscar uma ´verdade´ tradicional que até agora ficou oculta, mas de construir nossas respostas”, mesmo porque na filosofia da linguagem vive-se “numa dialética contínua entre aproximações totalizadoras e fugas particularizadoras”.

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  • Postado em 01:00:10